terça-feira, 30 de junho de 2009

Nem tudo que parece, é!


Muitos alunos que procuram o curso "A arte de falar em público" declaram que se desestabilizam ao se deparar com um tipo de olhar de alguém da platéia.

Nesse momento, segundo eles, perdem o foco do discurso e tentam, em vão, decifrar o que se passa pela mente daquela pessoa. O interessante é que sempre imaginam ser algo negativo em relação à sua performance.

Ao ser trabalhado em sala de aula a questão da percepção, passam a compreender que nem tudo que parece é, como no exemplo: achar que alguns olhares direcionados significam reprovação de algo, mas que, na verdade, não é nada disso. Esses "achismos" não os levarão a lugar nenhum...

Se você também gela quando, ao fazer uma apresentação, cruza com um olhar indecifrável, não se martirize tentando decodificá-lo. Você pode pensar em mil e uma coisas - geralmente negativas - mas não será capaz de saber ao certo o que está por trás dele. Portanto, só conseguiria colocar o seu discurso em risco.

Não se iluda acreditando que irá agradar a todos que estão ali para ouvi-lo, pois isso é muito difícil de acontecer. A dica é fazer o seu melhor! Está inseguro, com medo de falar em público? Saiba que o medo é um mecanismo de defesa e é útil senti-lo, pois nos protege de situações em que o perigo real está presente.

O medo de falar em público, normalmente, trata-se de um perigo imaginário. Portanto, faça desse medo um aliado. Prepare-se da melhor maneira, antecipe-se às possíveis perguntas e procure manter o autocontrole.

domingo, 28 de junho de 2009

Autoconfiança sim! Arrogância não!


Não é novidade para nenhum de nós a importância da autoconfiança. O problema começa quando a confundem com arrogância.

É comum encontrarmos pessoas, que não são tudo aquilo que acreditam ser, dando "tiros no próprio pé" por acharem que são melhores do que os outros. Essa crença gera atitudes que geram reações (negativas). Afinal, quem quer estar com pessoas assim?

O outro lado da moeda são pessoas com um potencial enorme, mas que não acreditam serem capazes de progredir naquilo que se dispõem a fazer. Muitas se consideram uma fraude, uma farsa, e deixam de aproveitar as oportunidades que lhes são oferecidas por medo de não alcançarem os resultados esperados. "Se recuso a oportunidade, não tenho a mínima chance de falhar, ou de criar desilusões e decepções a meu respeito". Este pensamento pertence aos que estão na zona de conforto e que não os leva a lugar nenhum! Se recusamos a oportunidade, não falhamos, mas também não nos desenvolvemos. Errar faz parte do processo de desenvolvimento, pois aprendemos com os erros*.

Acreditar em si mesmo, passa pela autoestima e pelo autoconhecimento.

A autoestima é desenvolvida desde nossos primeiros passos. Ao longo da vida, recebemos estímulos que podem nos transformar em pessoas confiantes e seguras ou o contrário disso.

Mas nem tudo está perdido: é possível resgatar a autoestima! Um exercício proposto por diversas obras de autoajuda é se colocar diante de um espelho e conversar com você mesmo em voz alta. Nessa conversa, você deve se dizer coisas positivas. No início pode parecer estranho e gerar desconforto, mas com a prática, torna-se um hábito (saudável). Conheço quem pratica este exercício e eles afirmam que passaram a se respeitar mais, tornando-se capazes de, por exemplo, dizer não - palavra que, antes, era difícil de ser pronunciada.

O autoconhecimento é um processo doloroso para alguns, mas essencial para todos. Precisamos (re)conhecer o que temos de bom e de não tão bom assim. Quando nos conhecemos, podemos trabalhar cada ponto que consideramos negativo e ao identificar os pontos positivos, podemos nos servir deles para nos tornarmos mais confiantes e ir em frente com nossos projetos.
* Leia matéria de capa "De volta ao jogo" publicada na edição de junho/2009 da revista Você S/A.

Curso


No dia 22 de junho de 2009, concluí mais uma turma do curso técnico de Gestão Empresarial. O módulo trabalhado foi "Comunicação Oral e Técnicas de Apresentação".

Agora, os 40 alunos estão preparados para fazer apresentações que os outros módulos do curso exigem.
Sucesso para todos!

sábado, 27 de junho de 2009

O Poder de um Boato


O ruído na comunicação pode comprometer, e muito, pessoas e organizações.
Na famosa brincadeira "telefone sem fio" é engraçado e divertido ver a mensagem chegar truncada ao destinatário final, mas na vida real pode causar traumas e até prejuízos.
As organizações sofrem bastante com a comunicação interna. Gerentes inseguros e funcionários descomprometidos acentuam o problema.
Esteja atento à sua forma de se comunicar e cuide para que a mensagem chegue corretamente ao(s) receptor(es). Você só tem a ganhar!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Escutatória - Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:

Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade:

A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
Vejam a semelhança...

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade, eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

quinta-feira, 25 de junho de 2009